História do Cruzeiro

 

Em Dona Euzébia, o Cruzeiro foi fundado em 1795 na estrada Dona Euzébia-Guidoval pelo senhor Francisco Ribeiro dos Santos, antigo proprietário de terras naquele local.

Lá  havia muitas rezas, terços e, nos tempos de seca, na época de pouca chuva, os agricultores da região levavam água e pedras para colocarem aos pés da cruz. Eles vinham em procissão pela estrada, cantando e  rezando terço e, através da fé, a chuva caía.

Há pouco tempo, atendendo a um pedido do Sr,. Domiciano de Fátima Ribeiro Pinto (Saninho), o doutor Luiz Loures – hoje já falecido – proprietário do terreno onde está localizado o Cruzeiro, cedeu uma área que foi cercada para que melhorias fossem feitas para, assim, preservar a memória do local. Foram construídos um oratório, um velário e instaladas placas que contam a história do monumento, além de citar os nomes dos devotos e beneméritos que fizeram sua história. Foram plantadas árvores e construídos alguns bancos para proporcionar maior conforto nos momentos de oração.

 

O Cruzeiro hoje em dia não possui mais todos os adornos que constam nos Cruzeiros antigos, devido à ação do tempo e pouco investimento em sua preservação, mas isso não tira sua imponência como marco da tradição religiosa de nosso município.

Ainda hoje o local é frequentado por pessoas religiosas que atribuem à sua devoção graças e milagres alcançados através da oração aos pés da cruz.

Texto: Kelly Cristina Pinto Ribeiro

 

 

 

 


 

Cruzeiros – História e sua Origem

O aparecimento do cruzeiro remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurou-se cristianizar todos os locais e monumentos pagãos. A cruz era o símbolo usado para levar a cabo o processo de cristianização.

O período da história em que a cruz se torna um elemento simbólico dos cristãos foi com o Imperador Constantino I. Este foi o primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na sequência da sua vitória sobre Magêncio na Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312, às portas de Roma, que ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão.

Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim: “In hoc signo vinces.” (“Sob este símbolo vencerás”).

De manhã, pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora sobre o inimigo.

A cruz “é sempre o símbolo do triunfo eterno sobre a morte”. Os locais protegidos eram aqueles onde ela figurasse. Os cruzados tinham como emblema a cruz, que surge no pomo das espadas dos cavaleiros. A cruz tornou-se a base na arquitetura para traçar a planta das igrejas. A figura geométrica das duas hastes tornou-se o sinal mais elementar e divulgado da piedade cristã, o mais conhecido do cristianismo, o mais usado nos atos do culto e, mesmo depois da morte, assinala a sepultura de todos aqueles que descansam em Cristo.

Assim, os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os ergueram como promessa.

De acordo com o lugar onde estão, possuem um significado:

  • Os cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja.
  • Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí pensava-se que se realizavam rituais pagãos.
  • Os cruzeiros dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.

Constituem ótimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas de um povo, nas várias épocas da sua história.

O cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.

 

SÍMBOLOS PRESENTES NOS CRUZEIROS PRIMITIVOS

Os símbolos presentes nos Cruzeiros são os símbolos presentes na Paixão de Jesus Cristo.

CRUZ: madeiro onde morreu Nosso Senhor Jesus Cristo;
GALO:  Pedro negou Cristo por Três vezes antes que o galo cantasse;
PLACA DE INRI:  Jesus Nazaré Rei dos Judeus;
COROA DE ESPINHOS: Colocada na cabeça de Cristo pelos romanos;
MARTELO:  Foi usado para pregar os cravos;
ESPADA: Pedro cortou a orelha do soldado romano;
PALMA: Folha de palmeira usada para saldar Cristo no Domingo de Ramos;
CRAVOS: Usados nas mãos  e pés de Cristo;
LANÇA ROMANA: Perfurou o pulmão do lado direito do Corpo de Cristo;
LANÇA COM ESPONJA: Os romanos embeberam-na em vinagre e ofereceram a Jesus;
LANTERNA OU TOCHA: Usada pelos romanos para iluminar o caminho até onde Cristo se encontrava com os apóstolos;
SACO COM MOEDAS: Judas traiu Jesus por 30 moedas de prata;
MANTO DE VERÔNICA: Usado para secar o rosto de Cristo;
JARRA: Usada na cerimônia do Lava-pés;
CANA: Os soldados romanos ofereceram como cedro a Cristo;
ESCADA: usada para retirar o corpo de Cristo;
BACIA: Usada por Pilatos para lavar as mãos no julgamento de Cristo;
MÃO: Pilatos, num ato simbólico, lavou as mãos eliminando-se da culpa;
CÁLICE: Usado na última ceia;
CAVEIRA: Símbolo do Gólgota – Simboliza vida e morte de todos os seres humanos;
TÚNICA: Vestimenta em linho usada por Cristo durante o Calvário;
COLUNA: Onde Cristo foi açoitado;
DADOS: Que os Soldados romanos jogaram para sortear a túnica de Cristo;
CHICOTE: Que açoitou Cristo.

Por trás de cada cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.

 

Fontes:

http://museuvirtual.activa-manteigas.com/index.php/places/cruzeiros-3/cruzeiros-historia-e-sua-origem/

http://historiaegenealogialafaiete.blogspot.com/2017/04/cruz-da-penitencia.html